Tarot de Gringonneur (Carlos VI): História e Autoria
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O Tarot de Gringonneur, ou Tarot de Carlos VI, é um conjunto de 17 cartas pintadas à mão, guardado na Biblioteca Nacional da França. Foi atribuído a Jacquemin Gringonneur por causa de um registro de 1392 de pagamento por três baralhos para o rei Carlos VI, mas hoje a maioria dos estudiosos questiona essa atribuição: as cartas são em geral do século XV e muitos as relacionam à Itália. É um objeto de valor histórico e artístico, não um baralho completo de leitura.
Neste artigo
O que é o Tarot de Gringonneur
O Tarot de Gringonneur, também chamado de Tarot de Carlos VI (Charles VI Tarot), é um conjunto de 17 cartas pintadas à mão, guardado na Biblioteca Nacional da França, em Paris. Ele ficou famoso por ter sido atribuído a Jacquemin Gringonneur, artista que, segundo um registro contábil de 1392, recebeu pagamento do tesouro do rei Carlos VI da França por pintar três baralhos de cartas.
Hoje, a maioria dos estudiosos considera que essa atribuição não se sustenta: as cartas conservadas são, em geral, datadas do século XV, e muitos pesquisadores as relacionam à Itália. Ou seja, o nome é tradicional, mas a história é um bom exemplo de como lendas se misturam à pesquisa. Para o panorama geral, leia a história do tarot e a origem do tarot.
| Ponto | O que se sabe |
|---|---|
| Cartas conservadas | 17, na Biblioteca Nacional da França |
| Nome tradicional | Gringonneur ou Carlos VI (em francês, Charles VI) |
| Registro de 1392 | Pagamento a Jacquemin Gringonneur por três baralhos para o rei Carlos VI |
| Datação das cartas | Em geral, século XV, e não de 1392 |
| Origem provável | Muitos estudiosos apontam a Itália, mas há debate |
| Natureza | Cartas históricas, de interesse artístico e de pesquisa |
Por que a atribuição a Gringonneur é questionada
O registro de 1392 existe, mas ele não descreve as cartas: fala apenas em três baralhos pintados e dourados para o rei. Não há como provar que os baralhos citados sejam os mesmos que hoje se conservam. Há ainda um detalhe: é comum encontrar o nome «Carlos IV» em textos populares, mas o rei do registro é Carlos VI.
| Argumento | Por que pesa |
|---|---|
| O registro não descreve as cartas | Não há ligação direta com as 17 cartas atuais |
| Estilo artístico | As imagens não coincidem com a produção francesa da época de 1392 |
| Datação | A produção das cartas é associada ao século XV |
| Origem italiana provável | Há semelhanças com baralhos italianos, como o Visconti-Sforza |
Para conhecer outro baralho muito antigo, leia o Tarot Visconti-Sforza e o Tarot Renascentista de Giovanni Vacchetta.
As cartas conservadas
As 17 cartas são pintadas com cores vivas e acabamento rico, num estilo que lembra a arte gótica tardia. Entre elas há figuras que reconhecemos em tarots posteriores, como o Imperador e a Imperatriz, o Carro e a Roda da Fortuna. Como o conjunto é incompleto, não é possível reconstituir o baralho original, e é um erro apresentar o Tarot de Gringonneur como um baralho de 78 cartas pronto para leitura.
Do jogo de cartas ao tarot de adivinhação
As cartas de jogo chegaram à Europa no século XIV e se espalharam entre a nobreza e as camadas urbanas. Os baralhos com cartas de triunfos, que deram origem ao tarot, aparecem no norte da Itália por volta de meados do século XV, como jogo conhecido por tarocchi. A associação do tarot com a adivinhação é bem posterior, a partir do século XVIII. Isso explica por que baralhos como o de Gringonneur são estudados como objetos de arte e de jogo, e não como «tarots de leitura». Para aprofundar, leia a história do tarot.
A estrutura de um baralho de tarot completo
É comum ver textos que descrevem o Tarot de Gringonneur como um baralho de 78 cartas. Na verdade, 78 cartas é a estrutura dos tarots completos que se consolidaram depois, e o conjunto conservado de Gringonneur tem apenas 17. Para ajudar a comparar, esta é a estrutura de um tarot completo:
| Parte do baralho | Cartas | Como é composta |
|---|---|---|
| Arcanos Maiores | 22 | O Louco, O Mago, A Sacerdotisa, A Imperatriz, O Imperador, O Hierofante (ou O Papa), Os Enamorados, O Carro, A Justiça, O Eremita, A Roda da Fortuna, A Força, O Enforcado, A Morte, A Temperança, O Diabo, A Torre, A Estrela, A Lua, O Sol, O Julgamento e O Mundo |
| Arcanos Menores | 56 | Quatro naipes: Copas, Ouros, Espadas e Paus |
| Cartas numeradas | 40 | Do Ás ao Dez em cada naipe |
| Figuras de corte | 16 | Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete em cada naipe |
Os nomes e a ordem de algumas cartas variam entre baralhos e épocas. Para conhecer os significados dos Arcanos Maiores, leia o poder dos Arcanos Maiores e os naipes do tarot e os 4 elementos.
Importância histórica e uso hoje
O valor do Tarot de Gringonneur é sobretudo histórico e artístico. Ele ajuda a mostrar como as cartas de jogo e as imagens do tarot circulavam na Europa dos séculos XIV e XV, antes de o tarot ser associado à adivinhação. Em geral, o baralho é estudado como patrimônio e inspiração, e não como baralho de leitura. Quem quiser ler cartas deve escolher um baralho completo. Veja tipos de tarot e o melhor baralho de tarot para iniciantes.
Cuidados com lendas sobre a origem do tarot
- Desconfie de afirmações absolutas. «Este é o tarot original» ou «o tarot dos reis» costumam simplificar uma história complexa.
- O tarot não prevê o futuro com certeza. Mesmo os baralhos antigos eram, primeiro, jogos de cartas. A leitura como oráculo é uma prática posterior, sem comprovação científica.
- Confira as fontes. Livros de história da arte e catálogos de bibliotecas costumam ser mais confiáveis do que lendas repetidas na internet.
- Não substitui apoio profissional. Em crise emocional, o CVV atende gratuitamente pelo 188.
Atendimento responsável: o Tarot e os demais oráculos são ferramentas de reflexão e orientação espiritual. Eles não substituem acompanhamento médico, psicológico, jurídico ou financeiro, e nenhuma leitura garante acontecimentos futuros. Em caso de crise emocional, procure apoio profissional ou o CVV (188).
Dúvidas comuns sobre o Tarot de Gringonneur
O que é o Tarot de Gringonneur?
É um conjunto de 17 cartas pintadas à mão, guardado na Biblioteca Nacional da França, tradicionalmente atribuído a Jacquemin Gringonneur.
Quem foi Jacquemin Gringonneur?
Foi um artista citado em um registro contábil de 1392, que mostra o pagamento por três baralhos de cartas para o rei Carlos VI da França.
Por que a autoria é questionada?
Porque o registro não descreve as cartas, e as 17 conservadas são em geral datadas do século XV, com estilo ligado a baralhos italianos.
Ele é o tarot mais antigo do mundo?
Não é possível afirmar isso. É um dos conjuntos antigos mais conhecidos, mas outros baralhos italianos do século XV, como o Visconti-Sforza, são igualmente importantes.
Qual é a estrutura do Tarot de Gringonneur?
O conjunto conservado tem 17 cartas. A estrutura de 78 cartas, com 22 Arcanos Maiores e 56 Menores em quatro naipes, é a dos tarots completos que se consolidaram depois.
Quando o tarot passou a ser usado para adivinhação?
Os baralhos de triunfos surgiram como jogo na Itália, por volta de meados do século XV. A associação com a adivinhação é posterior, a partir do século XVIII.
Posso fazer leituras com o Tarot de Gringonneur?
Como são apenas 17 cartas, ele não forma um baralho completo de leitura. Existem reproduções e baralhos inspirados, mas o valor principal é histórico.
O tarot de Gringonneur prevê o futuro?
Não. É um objeto histórico, e a leitura de cartas é uma prática simbólica posterior, sem comprovação científica.
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Revisado por Chico Dal Pont, editor responsável, em 15/10/2026.